PORTO DE LUANDA


SOBRE O MARACATU

O Brasil apresenta uma diversidade cultural muitas vezes desconhecida por grande parte da população. Dentre as manifestações populares existentes em nosso país há o maracatu, desenvolvido, tradicionalmente, no estado de Pernambuco durante Carnaval. O maracatu de baque virado ou maracatu nação tem mais remoto registro sobre maracatu data de 1711, em Olinda.

A palavra maracatu, cuja etimologia não foi ainda estabelecida, parece ter onomatopaica, criada a partir de sons dos tambores. Segundo alguns, seria uma senha combinada para anunciar a chegada de policiais que vinham reprimir a brincadeira e anunciada pelo toque dos tambores emitindo o som maracatu/maracatu/maracatu. Na linguagem popular, a palavra maracatu é empregada para expressar confusão, desarrumação, fora de ordem, dando respaldo ao pressuposto da origem dessa palavra.

Os grupos conhecidos como maracatus de baque virado, são considerados como a manifestação mais africana das tradições populares, se não forem levados em conta os cultos afro-brasileiros.

É preciso, em primeiro lugar, esclarecer que na África não há nada parecido com os nossos maracatus. O maracatu é um folguedo criado pelos negros no Brasil.

Sua origem está relacionada às festas em honra dos Reis Magos que foram instituídas no Brasil pelos missionários catequistas, que encontraram aqui nações distintas que caracterizavam aquelas figuras da história do Nascimento de Jesus. Verificou-se que aí havia um ponto para a conversão dos elementos indígenas e negros à fé cristã: o Rei Bronzeado para os caboclos, o Rei Negro para os negros e o Rei Branco como elemento de adoração dos portugueses.

O Rei Negro era Baltazar e a ele seguiram-se adeptos, em sua grande maioria da etnia negra, e em seus cortejos são encontradas as origens do nosso atual maracatu de baque virado ou nação.

Sendo assim, o maracatu surgiu a partir da criação da Instituição Mestra através da qual a Coroa Portuguesa “autorizava” os negros, escravos ou libertos, a elegerem seus reis e rainhas. Essa cerimônia católica de coroação do Rei e Rainha do Congo acontecia no dia de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O maracatu era então designado como Nação, isso porque a escolha dos reis era feita de acordo com as diferentes etnias africanas trazidas ao Brasil.

A adoração dos africanos a Nossa Senhora do Rosário provinha da África, já que padres dominicanos haviam iniciado o processo de cristianização a longa data. Portanto, não era estranho aos africanos presentes no Brasil entoarem sua voz lamuriosa ao cantar toadas em louvor à rainha do negros. Distantes da terra natal, eles pediam a proteção de Nossa Senhora do Rosário na tentativa desesperada de amenizar as dores do cativeiro cruel.

A transição do cortejo do Rei do Congo ao maracatu acontece a partir do momento que vem a abolição da escravatura, então a função do Rei do Congo desaparece. Ele era um auxiliar da autoridade policial, ele era autoridade intermediária entre o poder do Estado e as nações africanas. Todas as nações deviam obediência ao Rei do Congo. Pouco antes da Proclamação da República morre o último Rei do Congo da paróquia de Santo Antônio, que era Antonio de Oliveira.

A partir daí, o maracatu passou a ocorrer sob os auspícios da Federação Carnavalesca, sendo um folguedo resumido ao cortejo – o desfile de uma corte real negra. A organização do cortejo obedecendo ao estilo das procissões católicas. Os trajes sendo uma representação da corte real, ricamente paramentada com vestimentas ao estilo Luís XV, procurando imitar o vestuário do que teria sido a corte portuguesa dos tempos coloniais, sendo visível a influência da roupagem da estatuária barroca, especialmente das imagens de Nossa Senhora.

Atualmente, as nações de maracatu apresentam uma ligação com religiões afro, havendo a realização de cerimônias para a obtenção da proteção dos Orixás, visando o sucesso das apresentações e a realização dos desfiles sem incidentes. Há presença da boneca calunga, usualmente feita de cera e madeira, que recebe reverências de natureza religiosa. A calunga é carregada por uma importante figura da corte real do maracatu, chamada dama-do-paço.

Além dessas personagens, há também o rei e a rainha, príncipes e princesas, barões e baronesas, embaixador e embaixatriz…Os lanceiros com o seu bailado circulam a corte real, protegendo-a. Esses são alguns dos elementos mais tradicionais, além destes existem outros que vêm sendo introduzidos mais recentemente, como é o caso da ala que representa os orixás e da ala afro que dança passos marcados.

Sendo assim, o cortejo de maracatu constitui-se em importante espetáculo que envolve, além de toda riqueza estética e simbólica, também uma intensa musicalidade através de cânticos chamados de toadas e da orquestra percussiva que executa diversos tipos de baques.

O maracatu de baque virado é um universo extremamente rico em termos estéticos, rítmicos, históricos e comunitários. Envolve dança, música, canto, alegria, ritual e, principalmente, um enorme envolvimento emocional-comunitário.

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